Alicia no país da Joblândia: Mini-capítulo 1

Era mais um dia normal na agência de comunicação onde Alicia trabalha como redatora. Quem trabalha com publicidade e propaganda sabe o que é exatamente “um dia normal”: cheio de abacaxi para descascar.
Pela bilionésima vez Andréia, do atendimento, voltava com a peça que Alicia e Renato, o diretor de arte, fizeram de dia das mães para uma loja de sapatos.

– O cliente quer que o texto seja mais poético e pediu se poderia colocar uns corações no anúncio e na logo*.
– Aff! “Póetico”? Que raios é isso Renato? Vou escrever “as rosas são vermelhas e violetas são azuis. Mamãe eu te amo tanto que comprei este lindo sapatuis.” hehehe.
– Não brinca não que é capaz do cliente gostar. E eu? Colocar coração? Quer coisa mais clichê? Ainda por cima quer fazer na logo quando a gente sempre fala que na logo não se mexe. Não aguento mais esse job*.
– Nem eu. É um tal de vai e volta. Nem parece loja de sapato e sim de bumerangue.
– Pior eu que tenho que lidar com esse cliente toda a hora. Ele gosta de algo e volta atrás. Aí decide ficar com o que tava antes. Depois pensa melhor e quer trocar tudo. Já faz 15 dias essa lengalenga.

Nesse momento chega o dono da agência para uma reunião de urgência. Parece que eles conseguiram mais 3 contas* e todos querem uma campanha publicitária de, adivinha, dia das mães para, adivinha, o mais rápido possível.
– Temos que ser mais ágeis e criativos. Os clientes estão voltando muito com as peças* e assim não vai ter como fazer uma campanha para essas 3 novas aquisições. Quero que todos os redatores e diretores de arte
decidam quem vai ficar com o quê porque vamos resolver isso tudo para no máximo daqui a uma semana.
“Uma semana!!!!!!!!!!!! O chefe endoidou de vez. Não dá para fazer isso. É impossível!” pensou Alicia.
– Sugiro que seja melhor vocês ficarem até mais tarde porque quero pelo menos um raff* das campanhas amanhã na minha mesa.
“Ai não! Varar a madrugada ninguém merece! Porque fui escolher essa profissão. O que eu vou criar? Não quero que fique tudo igual. Essas datas comemorativas são fogo!” lamuriava Alicia.

Já passava das 10:30 da noite quando o grupo resolveu dar uma pausa para comer algo. Alicia foi até a cozinha para pegar as comidas que eles tinham pedido por telefone. Ao ligar a luz viu uma porta alaranjada em um canto.
– Engraçado nunca tinha visto essa porta. Deve ser onde guarda as coisas de limpeza.

Nessa hora ela viu um brilho pelo buraco da fechadura, com luz rosada bem intensada. Ela sabia que na agência só estava o pessoal de criação. A curiosidade era muita. O brilho aumentava cada vez mais. Alicia não se conteve e abriu a porta. A luz rosada tomou conta da cozinha. Era tão forte que não dava para ver o que tinha do outro lado. Alicia se viu quase que hipnotizada e foi caminhando em direção ao lugar desconhecido. Um lugar que mal sabia as aventuras que a aguardavam.

Dicionário Publicitário
Conta – Anunciante de um veículo de propaganda ou cliente de uma agência de propaganda. (fonte: Aurélio)
Job – tarefa, serviço, ocupação, emprego. (fonte: Aurélio)
Logo – abreviação para logomarca ou logotipo. Qualquer representação gráfica padronizada e distintiva utilizada como marca ou representação visual de uma marca. (fonte: Aurélio)
Peça – Anúncio.
Raff – rascunho de uma idéia.

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About Bárbara Gaia

Vivo no fantástico mundo digital e da redação publicitária. https://about.me/bngaia

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