O grande encontro

Era um dia bastante agradável. O céu estava bem azul, sem muitas nuvens. As que permaneciam tinham umas formas engraçadas que lembravam sorvete, urso e um veleiro. Não fazia calor, nem frio. Resolvi sentar no banco do parque e apreciar a paisagem durante meus minutos finais de almoço. Lá longe, perto de uma bonita cerejeira estava uma menininha a saltitar. Ela usava um vestido verde claro e botas brancas. Seus cabelos soltos dançavam enquanto ela toda feliz corria de um lado para outro.

Achei estranho que ela me parecia familiar porque não tinha nenhum amigo ou conhecido com uma filha de 6 anos de idade. Também reparei que não tinha nenhum adulto tomando conta dela. “Será que ela se perdeu?”. Decidi ajudar a garotinha a achar seus pais. Eles deviam estar preocupados.

Ao me aproximar, cutuquei a criança, que estava de costas, e perguntei:

-Você está perdida menina?

Quando ela virou, não acreditei. Meus olhos só podia estar pregando uma peça. A menininha era na verdade, eu, aos meus 6 anos de idade. Levei um susto e caí para trás. Minha mini-me achou graça e deu aquela risada tão cheia de vida que nós adultos perdemos ao longo do tempo. Fiquei perplexa, sentada no chão. Ela também se sentou ao chão e disse:

-Você se parecesse muito comigo, sabia?

-Sim, pareço né? – Continuando perplexa e achando que tinha pirado de vez.

-Sabe por que me pareço com você?

-Não, por quê?

– Porque eu sou você. Não é legal?

– Mas na verdade não estava achando muito legal não.

– Queria saber algumas coisas. A gente virou cantora?

– Hahahaha. Infelizmente acabamos descobrindo que não temos voz suficiente para isso. Hoje somos redatoras.

– Redatoras? Que é isso?

– Escrevemos textos.

– Parece ser meio chato.

– Não, é muito divertido. A gente brinca muito com a nossa imaginação.

– Disso eu acho legal. Quantos anos a gente tem agora?

– 25.

– Então a gente já se casou? Cadê o nosso marido? Ele é bonito?

– Não, a gente ainda não se casou. Nem namorado temos no momento.

– Sem marido? Mas a gente já está velha.

– Descobrimos que 25 anos não é ser velha. Ainda encontremos o amor de nossas vidas. Eu prometo.

– Ah bom! E papai e mamãe?

– Tão bem. Continuam os melhores pais do mundo.

– E a minha irmã? Ela vai ser uma irmã legal quando crescer?

– Vai. Seremos grandes amigas. Brigaremos de vez em quando mas faz parte. Você vai gostar muito dela.

– E amigos, a gente tem amigos?

– Durante a escola teremos muitos. Com o passar dos anos teremos poucos mas o suficiente.

– Bom, não somos cantoras, não temos marido. Mas a gente trabalha com a imaginação, temos ainda os melhores pais do mundo, uma irmã super legal e amigos. Gostei. A gente vai ser feliz?

Olhei para ela, com seus olhinhos cheios de esperança e relembrei de alguns momentos da minha vida. Das decisões erradas, das certas, dos tombos, das conquistas, de tudo que me fez me tornar o que sou hoje. Tive mais do que certeza e disse:

-Sim. A gente vai ser feliz.

Ela sorriu, me deu um grande abraço e disse:

– Obrigada por cuidar de mim.

Levantou do chão, saiu saltitando em direção a cerejeira e desapareceu como se fosse uma visão. Lágrimas correram dos meus olhos e nunca me senti tão leve na minha vida. Tive vontade de encontrar comigo aos 60 anos para ter certeza se ainda estava cuidando bem de mim. Espero que ela me traga boas notícias.

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About Bárbara Gaia

Vivo no fantástico mundo digital e da redação publicitária. https://about.me/bngaia

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