Senta que lá vem história

A arte de contar uma história é apreciada por bilhões de pessoas há milhares de gerações. Desde os tempos das cavernas pessoas deixavam suas histórias desenhadas nas paredes das cavernas. Quando o homem aprendeu a fala, inúmeras reuniões em volta da fogueira devem ter sido feitas. Ao contar uma história você não traz só o aprendizado e momentos de alegria. Deixa registrado a cultura de um povo.


Por que estou dizendo isso? Bem, tudo começou na palestra sobre storytelling que foi realizada pela ESPM e teve como convidado Antonio Núñez, diretor de planejamento estratégico da Story and Strategy. Podemos dizer que storytelling é o conjunto de ingredientes certos que você deve acrescentar para se criar uma boa história.

Núñez disse que antigamente uma marca se destacava por suas promessas. Depois foi por sua relação com os clientes. Mais tarde foram as experiências que proporcionava. Hoje o mais relevante é como uma marca ou produto conta uma história. Para isso, de acordo com Antonio, suas histórias tem que ter uma sequência de acontecimentos, conflitos, emoções, sensações, verdade e sentido na vida das pessoas. E terminou dizendo que as quatro ferramentas fundamentais para se construir uma são: mitos (algo que seja significativo), ritos, arquétipos e metáforas (comparar algo que você conhece com alguma coisa totalmente nova).

Se parar para pensar, faz muito sentido. Veja esse comercial da Sky para seu sistema de HD. Eles chamaram Anthony Hopkins para falar de seu momento preferido no filme Blade Runner, de 1982. Depois do relato vem a frase: “Os momentos que você adora merece alta definição”. Falar das vantagens do HD não chamariam mais a atenção do que a história de Anthony Hopkins, não acham?



Coincidência ou não, o próximo evento que fui, o 4º Descolagem, organizado por Roberto Largman em parceria com o Oi Futuro, falou sobre Transmedia Storytelling, ou seja, como a tecnologia está sendo capaz de criar histórias. Para debater sobre isso compareceram Maurício Mota, Geoffrey Long e Mark Warshaw.

Maurício Mota, dono do LIGA Transmedia Storytelling e trabalhou para empresas como Danone, Unilever, Nokia, Bradesco, etc, foi o primeiro a palestrar sobre o assunto. Ele disse que o que vale é o caminho não o destino final de um conto. Ninguém pega um livro e ler logo o último capítulo. Também explicou que Transmedia Storytelling é a melhor forma de usar as plataformas para se contar uma história. Os livros tem um jeito, as revistas e os quadrinhos outro, a telvisão e o cinema outro. Com os meios digitais não seria diferente.

Geoffrey Long é pesquisador e diretor de comunicação do Singapore-MIT GAMBIT Game Lab, uma parceria entre o Instituto de Tecnologia de Massachusetts e o governo de Singapura para desenvolver novas formas de usar os games como mídia. Começou deixando bem claro que Transmedia Storytelling não são adaptações de histórias e sim conteúdos contados a maneira particular de um meio. Essas novas plataformas estreitam as relações dos autores com o público ou das empresas com seus consumidores. Quando uma pessoas vê um filme e depois participa de outras histórias relacionadas ao filme, seja através de blogs, redes sociais ou jogos cria-se uma conexão bem mais forte. “No final você tem que entender seu público e perceber como sua história deve ser passada”.

Ao final veio Mark Warshaw, roteirista, produtor e diretor. Participou de projetos voltados ao Transmedia Storytelling para os seriados Heroes e Smallville, além de ter criado seriados especialmente para o celular. Ele mostrou exemplos de como o Transmedia Storytelling agrega valor. Para o seriado americano Smallville ele foi responsável pelo site Luthor Corp (empresa de Lionel Luthor, pai de Lex, o arqui-inimigo do Super Homem) e Smallville Ledger (jornal da escola de Smallville). Quando os sites foram lançados os fãs podiam fazer parte de Smallville. Com isso histórias e personagens foram testados e acabaram aparecendo na série.

Comentou de dois projetos recentes. Um, que é seu, é para divulgar a nova versão do seriado Melrose Place, que fez sucesso durante a década de 90. Fizeram então um site chamado Melrose Place Apartments, com um corretor mostrando o famoso condomínio, ao melhor estilo de  propaganda imobiliária. Você pode fazer um tour virtual e preencher uma ficha se quiser morar lá. Os escolhidos visitarão o set do seriado.

O outro, que achei bem legal, se chama Imagine This! TV, um programa/reality show criado para solucionar os problemas de comunidades em qualquer lugar do mundo em uma semana. As pessoas criam redes sociais para inscrever lugares ou pessoas que precisam de ajuda ou se inscrevem para participar da empreitada.

No final falou de seu mais recente projeto, ainda não finalizado, chamado 5 Nations, que foi até apresentado no Festival de Cannes. As pessoas serão responsáveis por um jogo que vai misturar inúmeras plataformas e ecologia. Tudo com um boa dose de ação. O game será oficialmente lançado no COMIC-CON do ano que vem.

Como vocês podem perceber, ainda temos muitos meios para contar muitas histórias ao longo de muitos anos. Imaginação, criatividade e meios para isso não vão faltar.

Fim.
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About Bárbara Gaia

Vivo no fantástico mundo digital e da redação publicitária. https://about.me/bngaia

One response to “Senta que lá vem história”

  1. Leonardo Schabbach says :

    Achei muito interessante essa afirmação de que a marca hoje tem de contar uma história. Os meus estudos sobre ficção e tal apontam justamente para esta possibilidade (também, além de outras coisas). Inclusive, eu pretendo fazer essa semana ainda no blog uma postagem falando de Ficção e Propaganda, mais ou menos nesse mesmo sentido que você falou.Quando li o texto pensei, po, é bem por este caminho que penso também.Bela postagem!

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