Alicia no País da Joblândia: Mini-capítulo 5

Alicia estava desesperada. Não conseguia nenhuma idea decente para vender shampoo para pessoas carecas. Mas onde já se viu alguém vender shampoo para gente que não precisa de shampoo?

– Já sei. Que tal uma pesquisa rápida? – disse Illu.

– Pesquisa? – retrucou Alicia.

– Sim. Vamos até Baldland. É pertinho daqui. Quem sabe entrevistando as pessoas não surge a sacada que a gente precisa?

– Que ótima ideia! Vamos agora! – festejou Alicia.

– Não acho legal. Olha o prazo… – advertiu Seu Coelho.

– Não se preocupe Coelho camarada. Vai ser rápido. Melhor do que ficar aqui olhando para a parede e não apresentar nada, certo? – disse Illu.

– É, você tem razão. Mas apressem-se! Ou será o fim da pobre Alicia.

Nessa hora a redatora engole sego. Não queria ser escrava da rainha. “Que saudades de casa. Até da agência.”.

Illu pegou seu carro e junto com Alicia foram rumo a Baldland. A cidade faz jus ao nome. Todo mundo é careca. Quando digo todo mundo, é TODO MUNDO. O que mantém a economia da cidade são as produções de leite das vacas. Baldland fornece leite para quase todas as cidades ao seu redor, inclusive Joblândia, que por cuidar da àrea publicitária de produtos e serviços, não tem espaço para atividades rurais.

As pessoas são bem simpáticas mas Alicia não pode deixar de notar os olhares para cima dela, em especial para seu cabelos. Resolveu prendê-los para não chamar muito a atenção, até que uma moça que passava perto dela disse:

– Não. Solte-os. São tão bonitos e vermelhos.

– É que não quero parecer presunçosa por ter cabelo.

– Fique tranquila. Percebo que você não é assim. Gostaríamos de ter cabelo sim mas não iremos ficar tristes ou com raiva por você ter o seu. Ele é belo. Deixe ser visto.

– Tudo bem. Obrigada. Sou Alicia, muito prazer.

– Prazer Alicia. Sou Margareth. Está de passagem por Baldland?

– Sim. Este é meu amigo Illu Draw.

– Seu amigo também tem cabelos negros lindos!

– Hum, obrigado. – disse Illu sacundindo a cabeça e se sentindo praticamente um galã de filme.

– Estamos fazendo uma pesquisa para um trabalho em Baldland. Gostaríamos de conhecer o dia a dia de quem vive aqui.

– Ah! Ficaria mais do que feliz em ajudar. Trabalho naquela fazenda ali.

– Poderíamos acompanhá-la?

– Claro.

Alicia e Illu então caminham junto com Margareh até a  Fazenda Vale dos Cavalos. Eles não entendem muito porquê desse nome mas logo descobrem. Apesar da fonte de renda da cidade ser a venda de leite, os cavalos são “os meninos dos olhos”. Tratados como reis, são bem cuidados, medicados e alimentados. Suas crinas são um caso à parte. Longe de parecer secas e sem brilho. São sedosas e brilhantes como cabelos de modelo de comercial de shampoo.

– Interessante. Vocês realizam competições com esses cavalos? – perguntou Alice.

– Sim. É o maior evento aqui de Baldland. Todo ano tem o Torneio do Melhor Cavalo. Treinamos nossos animais para a exposição. Tanto de beleza quanto para as corridas. Mas com todo o carinho do mundo que nossos bichos merecem.

– Reparei que vocês tem dezenas deles por aqui. Outras fazendas também tem? – perguntou Illu Draw

– Com certeza. São milhares os cavalos criados aqui.

– Você tá pensando o mesmo que eu, Illu? – falou Alicia.

– Pode apostar que sim. – respondeu Illu.

– Margareth, podemos marcar uma assembléia com todos os criadores?

– É possível, mas por quê?

– Você vai logo saber.

Depois da reunião, todos os criadores e suas famílias saíram sorridentes. Inclusive Margareth, que era a mais entusiasmada de todos. O acordo foi de alguns dos cavalos serem criados para que parte de sua crina ser destinada a virar mechas para perucas. Os cavalos eram muito amados em Baldland e foi decretado que nenhum animal iria perder toda sua crina. Juntamente com a crina, um parte sintética seria colocada junto. O dinheiro para tal experiência foi adquirido em uma fusão entre Baldland e Toyland, cidade que produzia e exportava brinquedos.

O resultado de tudo isso era que a empresa de shampoo que Alicia tinha a conta, seria responsável pelos cuidados das perucas. Foram criados anúncios e comerciais para que as pessoas que comprassem o Shampoo, receberiam dicas para aprender a cuidar de seus “novos cabelos”, além de um corte grátis no estúdio de cabeleireiros montado em Baldland especialmente para a ação.

Sucesso total. Illu e Alicia ficaram extremamente felizes pelo êxito. A rainha, quando soube, já que o dono da empresa de shampoos foi até seu escritório parabenizá-la pela campanha e pelos profissionais por trás da ideia, era só sorrisos. Sorrisos amarelos claro, porque no fundo, o que ela quer é mais uma escrava.

Quando o dono da empresa de shampoos saiu, ela gritou por Seu Coelho. Ele veio correndo para não chegar atrasado e disse:

– Sim, Sua Majestade.

– Avise a Alicia que ela foi muito esperta dessa vez. Mas que é para ela não cantar vitória, que o nível de dificuldade só vai piorar daqui para frente.

Assim que Seu Coelho saiu, a rainha começou a pensar no próximo job. E dessa vez, ela não podia falhar.

Se você quiser ver como começou essa história, acesse o Mini-capítulo 1, 2, 3 e 4.

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About Bárbara Gaia

Vivo no fantástico mundo digital e da redação publicitária. https://about.me/bngaia

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