15º Encontro de Design e Tecnologia Digital

No sábado passado tivemos, no Rio de Janeiro, a décima quinta edição do EDTED. O evento trouxe várias palestras, oficinas e desconferências voltadas para design, TI, games, enfim, tudo que faz parte do mundo digital.

Foram muitas as “atrações” e por isso, infelizmente, não terei como falar sobre todas aqui. Então vou destacar 4 palestras que chamaram a minha atenção.

A primeira é do Bruno Dreux, sócio fundador da Publicidade Interativa. O tema foi “Webenstein: Como defender sua criação e não entregar um monstro”. Mas o que quer dizer Webenstein? Bruno explicou no meio da apresentação. Antes ele começou falando que agência vende criação. É um trabalho árduo, com prazo curto, questionamentos a todo o momento e sujeito a reprovação.

O Webenstein são os remendos que a peça sofre ao longo desse processo. Cliente pede uma coisa, depois outra e outra e outra…No final fica parecendo realmente um Frankenstein da internet. Nessa hora, o profissional tem que ter cuidado e esclarecer o que funciona e o que não funciona. E para saber isso você tem que ter uma base sólida do que precisa ser feito. Entenda claramente o objetivo, elabore o projeto e defenda sua ideia.

O cliente não tem noção de design e usuabilidade. Por isso que contratou você. E cabe a você explicar porque o site foi desenvolvido daquele jeito. Ele fecha a palestra com uma frase muito boa: “Design não é gosto pessoal. É ferramenta de comunicação”. Assino embaixo.

A segunda palestra foi sobre acessibilidade na internet. Horácio Pastor Soares é pesquisador do site Acesso Digital e explicou para o público como é difícil para alguém que sofre de alguma deficiência navegar pela web. O deficiente visual, por exemplo, precisa de um programa que lê o conteúdo do site em voz alta no computador. A maioria dos sites não são padronizados para facilitar o uso desse programa.

Lêda Lucia Spelta, psicóloga, faz parte da equipe do Acesso Digital e mostra em um vídeo a dificuldade que é para quem é cego navegar em um site. Usando o leitor de tela ela teve que teclar 47 vezes o TAB até chegar na notícia de um portal. Sem contar que em muitos sites, o menu é feito de imagens e não com texto. Assim o leitor não consegue reproduzir o que está no monitor.

Acessibilidade não é só para quem tem alguma deficiência. Pessoas da terceira idade poderiam fazer suas compras de supermercado online, já que não têm mais força para ficar carregando as sacolas. Empresas de grande porte, como a Petrobrás, estão cientes desse público e pretende implantar a acessibilidade em seu sites. Horácio alerta que estamos bem perto dessa ferramenta se tornar um commodity e os desenvolvedores devem começar a correr atrás para saber como implantar a acessibilidade nos sites.

Sem sombra de dúvida a palestra que deu uma aula de aprendizado e humor foi a de Luli Radfahrer. O consultor, com Ph.D. em comunicação digital, mostrou como se deve cobrar um design. Para cobrar você tem que mostrar sua importância e sabemos que todo cliente responde mais com números. Então vamos lá. No mundo já são mais de 1,75 bilhão de pessoas online; no Facebook existe mais de 350 milhões de usuários; YouTube são 300 milhões e no Flickr 9 milhões de uploads de fotos por dia.

Provado que a internet deixou de ser uma “nova mídia” e virou um meio de comunicação poderoso, o cliente fica entusiasmado e o designer tem que criar. Mas Radfahrer diz que muitos não estão pensando na internet de 2010. Para chamar a atenção do usuário, inovação é quesito obrigatório. Os sites e blogs de empresas estão com a mesma cara. A interface não muda e o consumidor é exigente. A relação entre marca e consumidor no meio digital no Brasil ainda é amador, segundo Luli.

Design não é valorizado pelos clientes porque não resolve o problema. Muitos webdesigners não medem a efetividade de suas peças. Radfaher diz que é preciso: 1) Identificar e estudar o público-alvo; 2) Modelar o cenário e as ações do usuário; 3)Ver quais são as barreiras; 4) Determinar o impacto da mudança; 5)Integrar o design com a comunicação; 6) Harmonizar os objetivos do usuário e do cliente e 7) Priorizar as mudanças pelo grau de impacto e esforço.

O problema é que para fazer tudo isso precisa de tempo e o cliente quer tudo para ontem. Mas cabe ao designer tentar, da melhor forma possível, mostrar que assim é que o projeto terá sucesso. Tempo pode ser dinheiro mas se não há um planejamento, é dinheiro jogado fora.

Por fim (que sei que este post está imenso), Gustavo Loureiro e Lucas Ribeiro, da Infnet, apresentaram a importância da monitoração das mídias sociais. Sabemos que hoje o Twitter, Orkut e Facebook são redes que podem contribuir para o sucesso ou fracasso de um produto, marca ou empresa. Por isso, antes de criar uma campanha, é essencial saber o que estão falando na internet.

Existem hoje uma gama de ferramentas gratuitas. Lucas mostrou algumas bem interessantes como o Samepoint, que exibe o que está sendo dito em blogs, mídias sociais, fóruns, podcasts, entre outros. Já o Keotag busca palavras-chave e o How Sociable procura as menções diárias.

Gustavo e Lucas frisaram que procure sempre pedir por palavras parecidas. Se você procura por shampoo, por exemplo, escreva também xampu, xampú, shampu e shampo. Isso faz com que o trabalho fique mais completo. Outro item importante é guardar suas buscas no Google Reader, adicionando o link do RSS. Vai ajudar na organização do relatório que será elaborado mais tarde.

Foi um dia bastante proveitoso. Ano que vem, com certeza, estarei no EDTED de novo.

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About Bárbara Gaia

Vivo no fantástico mundo digital e da redação publicitária. https://about.me/bngaia

One response to “15º Encontro de Design e Tecnologia Digital”

  1. Lucas VGR says :

    Olá Bárbara, tudo bem?!

    Estou passando para agradecer ter comentado no seu ótimo post sobre a Oficina de Buzz Monitor que eu e o Gustavo Loureiro apresentamos.

    Vi que entendeu bem o conceito do monitoramento! Definindo corretamente os termos você conseguirá filtrar tudo o que falam sobre você ou sua marca!

    Precisando de ajuda é só entrar em contato!

    Abs!

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