Arte contemporânea pós mídias digitais

Quando vi esse seminário organizado por Ivana Bentes, professora e pesquisadora da Escola de Comunicação da UFRJ, para o Oi Futuro tinha a certeza que iria gostar. E acertei na mosca.

O primeiro convidado a debater sobre o assunto foi Cicero Silva, pesquisador e professor de mídia, arte e comunicação digital e coordenador do Grupo de Software Studies no Brasil. Seu tema foi a estética da informação e achei muito interessante como os dados e metadados podem se transformar em incríveis obras visuais.

Ele deu vários exemplos como o trabalho de Aaron Koblin, artista especializado em visualizações de dados. Suas peças do Flight Patterns mostram as principais rotas de aviões conseguidas através dos bancos de dados de passagens aéreas. É difícil acreditar que uma linguagem matemática pode criar um trabalho artístico, mas o resultado impressiona.

Outro projeto apresentado por Cícero foi o Spam Architecture, de Alex Dragulescu. O artista usou algoritmos e vetores de mensagens de spam que recebemos por e-mail e conseguiu desenvolver com eles objetos em 3D.

O próximo palestrante foi André Lemos, engenheiro e mestre em Política de Ciência e Tecnologia pela COPPE/UFRJ. Falou sobre Realidade Aumentada e as novas formas de ver o que está ao nosso redor através dela. Primeiro ele explicou o que é Realidade Aumenta. RA usa das tecnologias de geolocalização para mostrar informações ao usuário através de imagens.

Segundo Lemos existem dois tipos de RA: o indoor que é mais locativo e um outro que usa o espaço urbano para interagir com as pessoas. No Brasil a RA é ainda mais usada para fins publicitários mas lá fora seu foco principal são os aplicativos para o dia a dia como mostra essse vídeo para o The Guardian.

Lemos faz até um paralelo interessante dizendo que apesar do nome Realidade Aumentada, o que vivemos é na verdade uma redução porque o espaço fica restrito ao que os dispositivos móveis mostram para gente. E finaliza com “Não há realidade aumentada. Só há realidade construída”.

Em seguida Giselle Beiguelman discute sobre  a chamada webarte. Começa questionando que hoje qual arte contemporânea não dialoga com o mundo tecnológico? As práticas artísticas passaram para o além-tela, com o observador interagindo com as peças do artista. A arte agora questiona os padrões de legibilidade e das arquiteturas de informação.

Também resaltou que uma arte-mídia não é neutra. Seus procedimentos têm uma finalidade. Vai do contrato ao contato, ultrapassando a linha do capitalismo. Não fica mais parada em uma parede para ser admirada. As obras são colaborativas, compartilhadas com o grande público, como o trabalho Primal Source, da Haque Design + Research, que respondia ao som.

Beiguelman apresentou um de seus projetos, chamado de Poétrica. Painéis eletrônicos espalhados pela cidade mostravam mensagens que as pessoas podiam decifrar via web e SMS. Ele foi exposto em São Paulo e seguiu para Berlim.

Por fim Ivana Bentes mostrou seu panorama Mídia-Arte, Arte Híbrida. Abriu definindo o que seria net art: “Apenas o que fosse produzido e pensado para a rede. Uma arte que não possa ser experimentada em outro meio que não seja a própria internet”.

A cada nova interface, imediatamente surge um novo tipo de arte. Cada gadget vem com sua estética e produção de linguagem próprias. Completou argumentando que estamos passando por uma mutação antropológica, onde o capitalismo passar a ser cognitivo e que cada movimento estético constitui um banco de dados de dispositivos, materiais, figuras de linguagem, técnicas para além das obras como objetos ou produtos. Concordando com Giselle Beiguelman, Bentes também falou que a webarte se cria através do compartihamento e do remix.

Estamos todos conectados. Ligamos nossos celulares e computadores para nos comunicarmos e realizar nossos trabalhos. A tecnologia já faz parte de nós. Deve ser por isso que não dá para pensá-la em algo totalmente frio e exclusivamente racional. Nunca a objetividade e a subjetividade estiveram tão interligadas. E a webarte é prova viva disso.

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About Bárbara Gaia

Vivo no fantástico mundo digital e da redação publicitária. https://about.me/bngaia

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