É um pássaro, um avião?

Valdir e Renan trabalham em uma loja de material escolar perto do Metrô da Carioca. Era quase 13h quando chega a quentinha que eles compraram do restaurante da esquina e param para comer sentados em dois banquinhos perto da loja.

Conversa vai, conversa vem e Valdir, com aquela cara de satisfação depois de um bom almoço, resolve olhar para o céu. Fica um tempo olhando para as nuvens que passavam quando Renan cutuca o rapaz e pergunta:

– Ô Valdir, que você tá olhando ali pra cima?

– Já reparou que se você prestar bem atenção as nuvens podem parecer algum objeto ou coisa?

– Claro. Já cansei de brincar disso quando era pequeno. Você não acha que tá meio grandinho pra isso não?

– Ah! Não implica não “bróder”. Espia só. Aquela, se você olhar bem, parece um carro. Sério! As quatro rodas, a carcaça, tudo. Repara.

– Ihhh é “mermo”. Aquela lá do lado esquerdo parece um quindão dentro de um prato. Posso até imaginar ele bem amarelo, brilhante com o coco embaixo…

– Tô vendo que o que tu “qué” é uma sobremesa. Mas hoje não tem a promoção almoço com sobremesa grátis.

– Sei. Uma pena…

– Caraca! Olha aquela nuvem gigantesca vindo para cá! Parece que vai engolir a rua toda!

– Bem que queria. Ia ser um ótimo lugar para tirar uma soneca.

– Ô se é! Podia também ter dentro uma televisão em forma de nuvem mas que desse para ver direito. Não ia ter graça se a tela também fosse branca!

– Além da televisão podia ter uma nuvem em forma de piscina mas com água de verdade. Um quiosque com cerveja, também de verdade, com pessoal/nuvem tocando um pagodinho e muita mulher/nuvem.

– De verdade, né?

– Sim senhor! Loira, morena, mulata, negra. Todas lindas e dando mole para gente. Dando petisco na boquinha com direito a umas bitoquinhas.

– Hehehehehehe. Falou tudo “bróder”.

– Mais tarde iria rolar uma festa na nuvem gigante! Todo mundo bem arrumado com um banquete dos deuses, DJ e tudo mais.

– Depois a nuvem viraria uma mega mansão toda em mármore. Móveis caros, banheira de ouro e carros, muitos carros na garagem.

– Quais seriam os carros?

– Qualquer um desses importados!

– Mandou bem!

– E como a gente “taria” numa nuvem poderíamos viajar para onde quiser.

– Tipo Curitiba?

– Não moleque! Outro lugares lá fora, como Nova York.

– Ou surfando no Havaí!

– Quem sabe até esquiando no Canadá, como naqueles jogos de inverno que passaram na TV.

– Ia ser demais.

– Pô, também tem aquele lugar maneríssimo, o…

Nessa hora aparece Seu Plínio, o dono da loja, e grita para os rapazes:

– Vocês dois! Já passou a hora do almoço! Deixem de conversa e voltem ao trabalho!

Renan vira para Valdir e diz:

– Caramba, Seu Plínio fez a gente cair da nuvem gigante…

– E de cara para o chão! Tava tão bom imaginar todas aquelas coisas legais…

– Liga não Renan. Quando acabar o expediente a gente compra um algodão doce na carrocinha do lado. Pelo menos o que tem nessa nuvem a gente pode pagar.

– Hahahahaha. Pode crer. Fechou então.

Amanhã encerra o prazo de entrega dos textos para o Concurso Contos do Rio. O Caderno Prosa & Verso irá eleger dez contos que serão publicados no jornal, sendo que os três primeiros lugares leverão prêmios em dinheiro.

Eu resolvi tentar. Sei que serão milhares de inscrições mas a esperança é a última que morre, não é mesmo? Tinha escrito três contos mas como só pode enviar um, resolvi então postar os outros dois que deixei de fora da disputa aqui no blog. Gostaram? Espero que sim, porque depois virá mais um. 🙂

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About Bárbara Gaia

Vivo no fantástico mundo digital e da redação publicitária. https://about.me/bngaia

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