FIND 2010

Domingo passado teve mais uma edição do Fórum Internacional de Design e Tecnologia Digital e eu claro que fui, né? O assunto principal do evento foi mais a mídia digital e contou com apresentações de Michel Lent, da Ogilvy; Fernando Barbella, da BBDO da Argentina e Joseph Crump, da Razorfish.

Michel Lent foi o primeiro a palestrar falando sobre os poucos trabalhos brasileiros enviados para a categoria Cyber para o Festival Internacional de Publicidade de Cannes. Esse ano tivemos apenas um bronze ganho pela agência AlmapBBDO.

Lent comenta que até 2000, Cyber era sinônimo de banner. Logo os sites começaram a ganhar muito peso e verbas de produção fora da nossa realidade. E o que ganhava prêmio eram aquelas mega produções como a série The Hire da BMW.

A partir de 2005 é que as ideias passaram a ser diversificadas. Lent deu o exemplo do hotsite da SuperBonder feito pela DM9DDB que tinha um monitor grudado na parede e ficou lá por um bom tempo. Para saber se realmente era verdade, você podia escrever mensagens que aparecia na tela do monitor de 11 kg. A ação rendeu à agência um Grand Prix no Cyber de Cannes.

Quando as redes sociais na internet se tornaram mais populares, especialmente nas classes C e D, a diferença entre o on line e o off line desapareceram para os consumidores. Com isso, em 2006 e 2007, foram a vez dos vídeos em plataformas digitais a ganharem prêmios. Os chamados “virais” são feitos para internet mas não tem a cara da internet por serem justamente vídeos passando em uma mídia diferente da TV.

Em 2009 o foco das agências foram as campanhas integradas como fez a Cummins Nitro com o projeto The Best Job in The World, para promover o turismo na Austrália, misturando classificados de jornais e um website.

Lent fechou sua palestra falando que o que vemos hoje é essa integração entre o mundo real e o virtual e que não tem como mais categorizar e separar. A prova disso é que recentemente a Wieden+Kennedy ganhou o Grand Prix 2010 em Cyber com a campanha Livestrong Chalkbot, para a Nike Livestrong Foundation. As pessoas escreviam mensagens pelo site e depois elas eram pintadas nas ruas que faziam parte da famosa maratona Tour de France.

O próximo a se apresentar foi Fernado Barbella, Diretor de Criação Interativa da BBDO Argentina. Com o tema “Quando não há limite entre o online e offline. Tecnologias invisíveis e fatos reais.”, ele disse que o foco não é a ferramenta e sim o que você poderá fazer com ela para que sua mensagem seja entendida e compartilhada entre as pessoas.

Barbella comentou sobre 3 fases que acontecem na hora de adotar uma nova tecnologia. Primeiro se perguntam se isso vai solucionar todos os problemas ou se vão criar novos problemas. Depois vêm o desmascaramento e os pensamentos confusos começam a surgir.

Por fim acontece a fase da invisibilidade quando as pessoas estão tão habituadas com a nova tecnologia, que se torna um processo cotidiano, rápido e simples. No fim a tecnologia se trata de resolver nossas necessecidades interesses e possibilidades.

Barbarella falou algo bem interessante. Que hoje não compramos tempo e sim criamos tempo. Não tem como mais pensar em mídias pagas e sim em mídias ganhas. A experiência e a interação são coisas naturais então não dá para forçar alguém a fazer parte de algo. Como exemplo ela fala da campanha que a agência dele fez para o Doritos, o “Bring the slow dance back”.

O último a palestrar foi Joseph Crump, diretor de criação e ex-Diretor Executivo de Criação na Razorfish. Em sua apresentação intitulada “O Corvo e a Raposa”, Crump apontou, através de dados, o que vem se confirmando há um tempo: os usuários mais assíduos e entusiastas da internet estão na América Latina.

Crump disse que é engraçado que com fatos como esse, nosso continente continua com as menores verbas destinadas às mídias digitais. Os dados que ele apontou foram tirados de uma pesquisa da Razorfish com o Terra chamado A Debandada.

Um dos dados que também vêm se confirmando há bastante tempo é que o público digital está mudando, especialmente no Brasil com a classe C e D. 57% da classe C e 30% da D têm a intenção de comprar um computador. São 28 milhões de pessoas com computador em casa e 63% da classe C e 14% tem um.

A divisão digital não existe mais. A classe C está explorando mais o mundo digital que a classe A/B. Com isso criou-se o que Crump chamou de A Nova Classe Média Digital, que no Brasil corresponde a 53%.

A pesquisa chegou então a 7 conclusões:

1) A classe média digital tem hábitos diferenciados de consumir a web. O acesso pelo celular cresceu em 10,6% e pelo desktop 16%. O acesso a lan houses cresceu 18,5% entre 2006 e 2007. Dentre as atividades digitais, o uso das redes sociais aumentou 69% de 2006 para 2009.

2) A classe média digital é dividida em 6 tipos.

2.a) Digi-nativos (urbanos, sempre conectados. Fazem questão de ter um bom celular e uma câmera digital eficiente).

2.b) E-ntusiastas (em seus 20 e poucos anos, vendo na tecnologia uma porta para o sucesso no futuro).

2.c) Alpinistas (geralmente parentes dos jovens e donos de lan houses que veem na tecnologia uma fonte de renda).

2.d) E-Vantajosos (já dominam a tecnologia e fazem dela parte de seu trabalho)

2.e) Trabalhadores (não entende muito de tecnologia mas reconhece seu valor).

2.f) Lutadores (acreditam que a educação e o trabalho irão dar um futuro melhor. Mas a tecnologia ainda é uma necessidade cara).

3) A classe média digital gasta dinheiro. Correspondem à 31.16% da renda nacional brasileira.

4) A internet é a escola da classe média digital. Um exemplo que Crump deu foi o projeto Aluno Integrado, programa do MEC para qualificar de alunos da rede pública em tecnologia digital.

5) A classe média digital usa a web para algumas de suas principais atividades.

6) A maioria absoluta possui celulares e estão aprendendo a usar a internet através dele. Eles pretendem ter smartphones.

7) As brasileiras são as mais ativas on line. Correspondem a 50% do número de usuários, 40% delas gastam mais de 2 horas por dia na internet e 33% consideram a web uma fonte melhor que a TV.

Sei que o post desta vez foi enorme mas foi muita informação preciosa que recebi durante essa edição do FIND e tinha que dividir com vocês. Mais uma vez cumpriu o que prometeu. Até o ano que vem!

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About Bárbara Gaia

Vivo no fantástico mundo digital e da redação publicitária. https://about.me/bngaia

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