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#EuVi: Escape e percebi a importância do plot twist. Inclusive para a vida.

Quem foi da minha geração se lembra de uma série de mini filmes dirigidos por grandes nomes do cinema como  Ang Lee, Guy Ritchie, Alejandro González Iñárritu, John Woo, Joe Carnahan para promover os carros da BMW.

Esses mini filmes em nenhum momento falavam “olha como é incrível o novo carro da BMW”. Eles faziam parte da narrativa, da história. Estavam lá com um propósito, que foi muito bem cumprido.

bmw2

foto encontrada em: b9.com.br

Inclusive esses mini filmes viraram cases de referência e ganharam muitos prêmios no Festival de Cannes mas isso não é o mais importante. O mais importante é que com uma boa história se cria também boas conexões da marca com seu público.

Mas também isso não é o caso, neste post. O que me chamou a atenção e me fez pensar foi o plot twist no final do último filme criado, depois de quase 15 anos, chamado Escape e protagonizado por Clive Owen e Dakota Fanning, para promover o  novo carro da BMW, o BMW 5 Series 2017. Vou deixar para vocês verem o filme e acompanhar até o final que não vou dar spoiler, rs.

A reflexão aqui vai muito além da análise do filme e a importância do storytelling no marketing. Minha observação será um pouco mais profunda. Bom, para quem não é muito familiar com o termo, plot twist é uma espécie de reviravolta na trama, quando algo acontece que você não estava esperando de jeito nenhum.

Em Escape teve um plot twist muito bom que me fez pensar. Sabe quando a gente acha que tudo é para acontecer de uma maneira? A gente se acostuma com o cotidiano e faz planos que são os esperados. Mas sabemos muito bem que o destino, ou o que você quer chamar, adora pregar uma peças.

Quando você menos espera algo acontece que tira você do seu norte. Você não estava esperando. E aí? É hora de encarar ou recuar? Bom, todas as nossas decisões mudam nossa vida, independente de você achar que é uma escolha “segura” ou não.

O que tenho aprendido nos últimos tempos é: um bom plot twist faz a trama ficar bem mais interessante. 😉

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A Lei de Murphy: websérie do GShow

Recentemente a Globo lançou um portal de entretenimento chamado GShow, com tudo que gira em torna da Rede do Plim Plim. Até aí, normal se não fosse a página Exclusivos, que traz um monte de webséries.

g-show

Eu que adoro uma websérie fui logo fofocar. Encontrei uma que achei bem legal chamada A Lei de Murphy. Sabe aquele dia que nada deveria dar errado e que dá tudo errado? Assim como a Lei da Gravidade, a Lei de Murphy está presente no nosso dia a dia (infelizmente….).

Até agora foram produzidos 2 episódios. O primeiro foi sobre uma menina e o dia da sua entrevista de emprego. O que acontece? Sim. Tudo. Tudo de errado. (clique na imagem para ver o vídeo)

lei-de-murphy

Vou acompanhar! Mas #ficaadica Rede Globo: coloca um código de embed para a gente reproduzir os vídeos em nossos blogs, sim? 🙂

É um pássaro, um avião?

Valdir e Renan trabalham em uma loja de material escolar perto do Metrô da Carioca. Era quase 13h quando chega a quentinha que eles compraram do restaurante da esquina e param para comer sentados em dois banquinhos perto da loja.

Conversa vai, conversa vem e Valdir, com aquela cara de satisfação depois de um bom almoço, resolve olhar para o céu. Fica um tempo olhando para as nuvens que passavam quando Renan cutuca o rapaz e pergunta:

– Ô Valdir, que você tá olhando ali pra cima?

– Já reparou que se você prestar bem atenção as nuvens podem parecer algum objeto ou coisa?

– Claro. Já cansei de brincar disso quando era pequeno. Você não acha que tá meio grandinho pra isso não?

– Ah! Não implica não “bróder”. Espia só. Aquela, se você olhar bem, parece um carro. Sério! As quatro rodas, a carcaça, tudo. Repara.

– Ihhh é “mermo”. Aquela lá do lado esquerdo parece um quindão dentro de um prato. Posso até imaginar ele bem amarelo, brilhante com o coco embaixo…

– Tô vendo que o que tu “qué” é uma sobremesa. Mas hoje não tem a promoção almoço com sobremesa grátis.

– Sei. Uma pena…

– Caraca! Olha aquela nuvem gigantesca vindo para cá! Parece que vai engolir a rua toda!

– Bem que queria. Ia ser um ótimo lugar para tirar uma soneca.

– Ô se é! Podia também ter dentro uma televisão em forma de nuvem mas que desse para ver direito. Não ia ter graça se a tela também fosse branca!

– Além da televisão podia ter uma nuvem em forma de piscina mas com água de verdade. Um quiosque com cerveja, também de verdade, com pessoal/nuvem tocando um pagodinho e muita mulher/nuvem.

– De verdade, né?

– Sim senhor! Loira, morena, mulata, negra. Todas lindas e dando mole para gente. Dando petisco na boquinha com direito a umas bitoquinhas.

– Hehehehehehe. Falou tudo “bróder”.

– Mais tarde iria rolar uma festa na nuvem gigante! Todo mundo bem arrumado com um banquete dos deuses, DJ e tudo mais.

– Depois a nuvem viraria uma mega mansão toda em mármore. Móveis caros, banheira de ouro e carros, muitos carros na garagem.

– Quais seriam os carros?

– Qualquer um desses importados!

– Mandou bem!

– E como a gente “taria” numa nuvem poderíamos viajar para onde quiser.

– Tipo Curitiba?

– Não moleque! Outro lugares lá fora, como Nova York.

– Ou surfando no Havaí!

– Quem sabe até esquiando no Canadá, como naqueles jogos de inverno que passaram na TV.

– Ia ser demais.

– Pô, também tem aquele lugar maneríssimo, o…

Nessa hora aparece Seu Plínio, o dono da loja, e grita para os rapazes:

– Vocês dois! Já passou a hora do almoço! Deixem de conversa e voltem ao trabalho!

Renan vira para Valdir e diz:

– Caramba, Seu Plínio fez a gente cair da nuvem gigante…

– E de cara para o chão! Tava tão bom imaginar todas aquelas coisas legais…

– Liga não Renan. Quando acabar o expediente a gente compra um algodão doce na carrocinha do lado. Pelo menos o que tem nessa nuvem a gente pode pagar.

– Hahahahaha. Pode crer. Fechou então.

Amanhã encerra o prazo de entrega dos textos para o Concurso Contos do Rio. O Caderno Prosa & Verso irá eleger dez contos que serão publicados no jornal, sendo que os três primeiros lugares leverão prêmios em dinheiro.

Eu resolvi tentar. Sei que serão milhares de inscrições mas a esperança é a última que morre, não é mesmo? Tinha escrito três contos mas como só pode enviar um, resolvi então postar os outros dois que deixei de fora da disputa aqui no blog. Gostaram? Espero que sim, porque depois virá mais um. 🙂

Quem diria seu Nélio

Parte 2

Continuou a “andar” pela estrada até que parou de frente ao armário. Imaginou ser uma caverna. Quem sabe encontraria um tesouro escondido? Então olhou de um lado para o outro, respirou fundo e entrou na “caverna”. Se desviou porque viu morcegos vindo em sua direção. Pisou no chão com cuidado para não cair em nenhuma armadilha. Até que viu no alto de uma pedra seu “tesouro”. Bem, o alto da pedra era a prateleira do velho armário mas a aventura continuava do mesmo jeito. Foi subindo, subindo e zapt! pegou o baú. Sai do armário num pulo porque mais morcegos vinham em sua direção. Caiu na cama rindo de tudo que sua mente tinha criado.

Olhou sua caixa que serviu de baú do tesouro. Era uma pequena caixa onde ele guardava os bonecos e carrinhos que criava com pedra, gravetos e folhas. Seus pais não podiam comprar brinquedos então fazia seus próprios com o que encontrava por aí. Nélio deu um largo sorriso ao ver uns metais brilhantes por debaixo de tudo. “Minhas moedas! Tinha esquecido delas!”. As moedas que seu Luis dava a ele de gorjeta ficaram guardadas dentro da caixa porque Nélio queria comprar algo muito legal com elas e por isso ficou economizando. “Agora eu sei o que vou fazer com elas”. Pegou a caixa e correu para a sala. Viu que Damião tinha voltado da cidade e disse:

– Toma pai. Isto é para você.

Damião não podia acreditar.

– Fio, o que é isso?.

Ana estava varrendo a sala e largou a vassoura para falar com Nélio.

– Querido, o que você está fazendo?

Nélio abriu a caixa, tirou todas a moedas e falou

– Mãe, pai, a nossa lavoura foi atacada por pragas. Nossa família precisa de comida e sem as verduras e legumes da horta fica difícil. Estava guardando essas moedas que Seu Luís da mercearia me dava mas agora quero dar para vocês. Sei que é pouco mas pode ajudar a gente por hoje.

Os olhos de Ana se encheram de água e Damião ficou sério. Não era sério de dar bronca mas sério de orgulho.

– Fio, cê não sabe da alegria que me deu! Mas não carece de dar suas moedas. Falei com Seu Luís e ele me deu trabalho na mercearia dele enquanto a gente volta a preparar a terra. Mas cê não sabe o orgulho que me deu agora!

Ana foi até Nélio e lhe deu um forte abraço junto com um beijo na testa.

– Nélio hoje cê não é mais o meu menino. Hoje cê é um homem.

Nélio ficou confuso.

-Sou um homem? Tenho só 12 anos mãe. Nem pelo no rosto tenho ainda…

Damião riu.

– O que sua mãe quis dizer fio é que cê teve hoje uma atitude de homem. Não é mais uma criança. Cê cresceu.

– Cresci? Cresci mesmo?

Nélio realmente cresceu. Cinco anos haviam se passado e o menino virou um rapaz. Um rapaz muito do namoradeiro, diga-se de passagem. Sempre arrumava um rolo aqui e acolá com as meninas das fazendas e do centro da cidade também. Seu ponto forte era a serenata. De tanto participar das rodas de viola quando era pequeno, conseguiu aprender, sozinho, a tocar violão. Entre uma tarefa e outra, quando tinha tempo, tratava de arranhar alguma coisa nas cordas. E para a sua surpresa e a de todo mundo, tinha uma bonita voz. Parecia de cantor profissional. E Nélio, que não era bobo nem nada, usava isso ao seu favor na hora da conquista.

– Um dia essas meninas vão descobrir a quantidade de namoradas que cê coleciona. Quero só vê.

Nélio então responde a Raimundo, seu melhor amigo.

– Não carece de preocupação não, Raí. Sou muito discreto, hehehe.

De tanto o pessoal ouvir sobre a sua fama de cantor, Nélio foi convidado para cantar na quermesse da Dona Branca em comemoração ao dia de São João. A cidade estava toda enfeitada para a festa. Tinha bandeirinhas, fitas, flores e tudo mais que você possa imaginar para deixar as barraquinhas bem arrumadas. A festa de São João era bem conhecida por toda Minas Gerais e pessoas de outras cidades vinham para festejar.

Nélio estava nervoso. Não sabia que podia caber tanta gente em um só lugar. Começou a sentir o coração acelerado e o suor escorrer pelo rosto. As mãos estavam frias e a barriga doendo de ansiedade. Olhou para a multidão, subiu no palco improvisado e sentou no banquinho. De repente o medo tomou conta do rapaz e um branco veio em sua direção. Tinha esquecido como se tocava, da letra da música, de tudo. Não sabia o que fazer, se saia correndo ou desmaiava. Quando ia por em ação a primeira alternativa se deparou com uma visão.

Uma visão de cabelos longos, lisos e pretos, vestido rosa florido e um rosto encantador. Nunca tinha visto a garota antes. Devia ser de outra cidade. Ela era realmente linda e parou em frente a quermesse para vê-lo cantar. Nessa hora, sem explicação, a melodia foi aparecendo e a música saindo. Nélio olhava para a menina o tempo todo que, com vergonha, sorria e abaixava a cabeça. Suas irmãs, que estavam junto dela, também repararam e começaram a rir e cochichar entre si. A música, falava sobre amor à primeira vista, bem ao estilo sertanejo de ser. Escolha que Nélio fez de propósito, é claro. Quando terminou ele agradeceu mas ao olhar em volta a garota tinha sumido. Desceu como uma bala do palco, quase derrubando tudo. Nem Dona Branca teve tempo de agradecer e dar um dinheirinho pela participação.

Nélio corria pelo centro da cidade a procura dela. Queria saber seu nome, sobrenome, onde mora e se teria alguma chance com ela. Procurou em cada barraca, cada canto, até dentro da igreja e não encontrou vestígio dela. Parecia mesmo que ela foi fruto da sua imaginação. “Será que foi um sonho?”.

Perdeu a Parte 1? Veja aqui

Ainda me lembro

Parada na janela a observar a chuva e pensando nos momentos difíceis que o Rio de Janeiro passou nesses últimos dias, não pude de deixar de fazer alguns comparativos. Vou usar a expressão que meu avô sempre usa na hora de contar uma de suas histórias.

Cena do filme Diário de uma Paixão (The Notebook)

Ainda me lembro do tempo que a chuva era uma coisa boa. Nos filmes ela já foi o cenário de vários beijos apaixonados e palco para apresentações musicais regadas com muita alegria.

Cena do filme Cantando na Chuva (Singin' in the Rain)

Ainda me lembro quando era bom dormir ao som da água caindo e do cheiro que ela trazia. Era um melodia tão serena que parecia canção de ninar e que já embalou o sono de muita gente grande por aí.

Ainda me lembro das poças que a criançada fazia questão de pular e mesmo com suas mães gritando para entrarem em casa senão ficariam resfriadas, elas nem se importavam. Colocavam  a língua para fora para tomar aquela água vinda do céu.

Hoje as lembranças não são mais as mesmas. Chuva deixa as pessoas furiosas de ter que ficar até 10 horas (ou mais!) no trânsito, de ter que andar na rua com água até o joelho e ainda depois limpar a casa após uma enxurrada que invadiu e causou grandes estragos.

Foto Site G1

Deixa também outras desoladas ao perder um ente querido por causa das enchentes ou da violência que vem dos arrastões, já que fica tudo parado e não se tem para onde ir.

A natureza fica sendo a principal vilã dessa história quando não é bem assim. Ela não joga lixo nas ruas entupindo os bueiros e não é de sua responsabilidade o planejamento da cidade que cresce desordenadamente. Imaginem um copo cheio de coisas dentro. Se você acrescenta água é claro que vai transbordar. Não tem jeito.

Cabe a nós ter consciência disso e cobrar das autoridades, das pessoas que vivem ao nosso redor e de nós mesmos um lugar mais limpo e livre dos problemas urbanos. Porque se isso não acontecer, novas tragédias como a que acontece no Rio há dois dias e as que já aconteceram em São Paulo e Santa Catarina infelizmente vão continuar. E a chuva deixará de ser para sempre uma boa lembrança para se tornar um terrível pesadelo.

Alicia no País da Joblândia: Mini-capítulo 5

Alicia estava desesperada. Não conseguia nenhuma idea decente para vender shampoo para pessoas carecas. Mas onde já se viu alguém vender shampoo para gente que não precisa de shampoo?

– Já sei. Que tal uma pesquisa rápida? – disse Illu.

– Pesquisa? – retrucou Alicia.

– Sim. Vamos até Baldland. É pertinho daqui. Quem sabe entrevistando as pessoas não surge a sacada que a gente precisa?

– Que ótima ideia! Vamos agora! – festejou Alicia.

– Não acho legal. Olha o prazo… – advertiu Seu Coelho.

– Não se preocupe Coelho camarada. Vai ser rápido. Melhor do que ficar aqui olhando para a parede e não apresentar nada, certo? – disse Illu.

– É, você tem razão. Mas apressem-se! Ou será o fim da pobre Alicia.

Nessa hora a redatora engole sego. Não queria ser escrava da rainha. “Que saudades de casa. Até da agência.”.

Illu pegou seu carro e junto com Alicia foram rumo a Baldland. A cidade faz jus ao nome. Todo mundo é careca. Quando digo todo mundo, é TODO MUNDO. O que mantém a economia da cidade são as produções de leite das vacas. Baldland fornece leite para quase todas as cidades ao seu redor, inclusive Joblândia, que por cuidar da àrea publicitária de produtos e serviços, não tem espaço para atividades rurais.

As pessoas são bem simpáticas mas Alicia não pode deixar de notar os olhares para cima dela, em especial para seu cabelos. Resolveu prendê-los para não chamar muito a atenção, até que uma moça que passava perto dela disse:

– Não. Solte-os. São tão bonitos e vermelhos.

– É que não quero parecer presunçosa por ter cabelo.

– Fique tranquila. Percebo que você não é assim. Gostaríamos de ter cabelo sim mas não iremos ficar tristes ou com raiva por você ter o seu. Ele é belo. Deixe ser visto.

– Tudo bem. Obrigada. Sou Alicia, muito prazer.

– Prazer Alicia. Sou Margareth. Está de passagem por Baldland?

– Sim. Este é meu amigo Illu Draw.

– Seu amigo também tem cabelos negros lindos!

– Hum, obrigado. – disse Illu sacundindo a cabeça e se sentindo praticamente um galã de filme.

– Estamos fazendo uma pesquisa para um trabalho em Baldland. Gostaríamos de conhecer o dia a dia de quem vive aqui.

– Ah! Ficaria mais do que feliz em ajudar. Trabalho naquela fazenda ali.

– Poderíamos acompanhá-la?

– Claro.

Alicia e Illu então caminham junto com Margareh até a  Fazenda Vale dos Cavalos. Eles não entendem muito porquê desse nome mas logo descobrem. Apesar da fonte de renda da cidade ser a venda de leite, os cavalos são “os meninos dos olhos”. Tratados como reis, são bem cuidados, medicados e alimentados. Suas crinas são um caso à parte. Longe de parecer secas e sem brilho. São sedosas e brilhantes como cabelos de modelo de comercial de shampoo.

– Interessante. Vocês realizam competições com esses cavalos? – perguntou Alice.

– Sim. É o maior evento aqui de Baldland. Todo ano tem o Torneio do Melhor Cavalo. Treinamos nossos animais para a exposição. Tanto de beleza quanto para as corridas. Mas com todo o carinho do mundo que nossos bichos merecem.

– Reparei que vocês tem dezenas deles por aqui. Outras fazendas também tem? – perguntou Illu Draw

– Com certeza. São milhares os cavalos criados aqui.

– Você tá pensando o mesmo que eu, Illu? – falou Alicia.

– Pode apostar que sim. – respondeu Illu.

– Margareth, podemos marcar uma assembléia com todos os criadores?

– É possível, mas por quê?

– Você vai logo saber.

Depois da reunião, todos os criadores e suas famílias saíram sorridentes. Inclusive Margareth, que era a mais entusiasmada de todos. O acordo foi de alguns dos cavalos serem criados para que parte de sua crina ser destinada a virar mechas para perucas. Os cavalos eram muito amados em Baldland e foi decretado que nenhum animal iria perder toda sua crina. Juntamente com a crina, um parte sintética seria colocada junto. O dinheiro para tal experiência foi adquirido em uma fusão entre Baldland e Toyland, cidade que produzia e exportava brinquedos.

O resultado de tudo isso era que a empresa de shampoo que Alicia tinha a conta, seria responsável pelos cuidados das perucas. Foram criados anúncios e comerciais para que as pessoas que comprassem o Shampoo, receberiam dicas para aprender a cuidar de seus “novos cabelos”, além de um corte grátis no estúdio de cabeleireiros montado em Baldland especialmente para a ação.

Sucesso total. Illu e Alicia ficaram extremamente felizes pelo êxito. A rainha, quando soube, já que o dono da empresa de shampoos foi até seu escritório parabenizá-la pela campanha e pelos profissionais por trás da ideia, era só sorrisos. Sorrisos amarelos claro, porque no fundo, o que ela quer é mais uma escrava.

Quando o dono da empresa de shampoos saiu, ela gritou por Seu Coelho. Ele veio correndo para não chegar atrasado e disse:

– Sim, Sua Majestade.

– Avise a Alicia que ela foi muito esperta dessa vez. Mas que é para ela não cantar vitória, que o nível de dificuldade só vai piorar daqui para frente.

Assim que Seu Coelho saiu, a rainha começou a pensar no próximo job. E dessa vez, ela não podia falhar.

Se você quiser ver como começou essa história, acesse o Mini-capítulo 1, 2, 3 e 4.

Eu não sou um avatar

Não. Essa minha crônica não será sobre o filme dirigido por James Cameron. Até porque já falaram bastante sobre ele. Mas será sobre outro filme, que não deixa de ser um pouco parecido, chamado Os Substitutos.

Para quem não conhece, Bruce Willis interpreta um policial na pele de outro que é ele mesmo. Isso porque na trama, o nosso mundo era habitado por robôs programados para substituir os seres humanos e assumiam o lugar de seus donos, que os controlavam dentro de suas casas. Ou seja, eu teria o meu avatar, com a minha aparência, fazendo tudo por mim.

Agora imagina ter um robô que assumisse sua identidade e ficasse em seu lugar, fazendo suas obrigações e “aproveitando” seus momentos de lazer. Seria esse o caminho que estaríamos seguindo?

Nessa horas que muitos perguntam se a tecnologia é realmente nossa aliada. Eu, que estou a maioria do meu tempo conectada, afirmo que sim. Ela torna nossa vida bem mais fácil. O que não podemos esquecer é que ela existe para nos ajudar e não nos dominar.

Por que quando surge algo novo tem gente que diz que veio para substituir o antigo? Nem sempre funciona desse jeito. O cinema não substituiu o teatro, nem a televisão com o rádio e muito menos a internet para todo o resto.

E estão plenamente enganados se acham que algum dia um avatar vai nos substituir. Tirar da gente as boas risadas que damos com os amigos? A alegria que é escutar sua música favorita e cantar sem vergonha de desafinar? De andar de mãos dadas com quem se ama depois de um jantar e uma ida ao cinema? Nem pensar!

Acho que vou tirar o meu avatar que deixo nas redes sociais e tratar de colocar uma foto real minha lá. Só por precaução.